O clima esquentou nos bastidores do Changwon NC Park. Antes mesmo do primeiro arremesso contra o Samsung Lions neste dia 8, a diretoria do NC Dinos simplesmente chutou o balde em relação ao seu elenco principal. Numa manobra drástica para tentar sacudir a equipe, o time mandou quatro jogadores de uma vez para a filial das ligas menores, incluindo o veterano Matt Davidson, além de Go Jun-hui, Cheon Jae-hwan e Ha Jun-young. É o tipo de chacoalhão que você dá no roster quando a paciência tática acaba. Para tapar esses buracos, foram promovidos ao time principal Oh Tae-yang, Kwon Hee-dong, Oh Young-soo e Mok Ji-hoon.
Com essa roleta russa no elenco, o lineup titular do NC para o confronto foi redesenhado com Kim Joo-won assumindo como shortstop, Han Seok-hyun patrulhando o campo central e Park Min-woo na segunda base. Park Kun-woo entra como batedor designado, enquanto o outfield se completa com Lee Woo-sung na esquerda e Kwon Hee-dong na direita. O infield fecha com Oh Young-soo na primeira base, Kim Hyung-jun atrás do home plate e Do Tae-hun na esquina quente.
Mas o que realmente levanta as sobrancelhas nessa escalação é o montinho. O destro Mok Ji-hoon assume a bronca como abridor, carregando um ERA assustador de 11.25 em quatro aparições, sem vitórias ou derrotas na conta.
Do outro lado do diamante, o Samsung Lions chega embalado, surfando numa sequência de quatro vitórias consecutivas. A estratégia deles é testar o calouro Jang Chan-hee no início do jogo. O garoto tem números razoáveis nesta temporada: duas vitórias, duas derrotas e um ERA de 3.92 em nove jogos. O detalhe importante aqui é que Jang começou o ano operando como long reliever e ainda está caçando a sua primeira vitória desde que foi inserido na rotação titular. Nas últimas vezes em que abriu o jogo, o braço pesou. Ele engoliu uma derrota no final do mês passado contra o Kiwoom Heroes (cedendo uma corrida em três entradas) e afundou de novo logo em seguida contra o Hanwha Eagles, levando quatro corridas em quatro innings trabalhados.
E por falar no Hanwha Eagles, a situação do bullpen lá em Daejeon ilustra perfeitamente o drama que é gerenciar arremessadores na KBO. Se o NC Dinos mexe no elenco para buscar respostas, o Hanwha lida com a dura realidade de que nem sempre o rebaixamento de um jogador resolve os problemas na mecânica de arremesso. A dor de cabeça da equipe tem nome: Kim Seo-hyun.
O destro, famoso por ser um autêntico “fireballer”, passou os últimos dez dias no time secundário para esfriar a cabeça e tentar reencontrar a zona de strike. O seu retorno, que aconteceu no dia 7 no Gwangju-Kia Champions Field contra o KIA Tigers, foi um verdadeiro pesadelo.
O cenário era para ser o mais confortável possível. O ataque do Hanwha tinha massacrado os arremessadores do KIA com 19 rebatidas, construindo uma vantagem elástica e tranquila de 11 a 4 até a oitava entrada. Com o jogo praticamente no bolso, a comissão técnica colocou Kim Seo-hyun na baixa da nona. A ideia era simples: usar a vantagem no placar para que o arremessador ganhasse confiança. O que se viu, no entanto, foi um apagão completo de controle. O cara simplesmente não conseguia achar o prato.
Kim abriu a entrada distribuindo boladas consecutivas em Park Jung-woo e Han Seung-yeon. Foram 11 bolas rápidas disparadas em sequência sem o menor indício de pontaria. Desesperado depois de machucar as estatísticas logo de cara, ele tentou o erro oposto: forçou as bolas no meio da zona de strike. Virou alvo fácil. Kim Tae-gun não perdoou uma bola rápida de 150 km/h que ficou pendurada no meio do prato e mandou uma pancada para o campo esquerdo. Bases lotadas, nenhum eliminado e o pânico instalado no dugout.
Tentando sobreviver, Kim misturou o repertório contra o rebatedor seguinte, Park Min. No quarto arremesso, um slider mal localizado virou uma rebatida simples para o centro, impulsionando a primeira corrida do colapso. A implosão foi total logo em seguida, quando ele mandou quatro bolas totalmente fora da zona contra Park Jae-hyun, cedendo um walk e forçando outra corrida no automático.
Com quatro corridas na conta (três merecidas), duas rebatidas, três andadas/boladas e zero eliminações na entrada, o ERA da temporada de Kim decolou de 9.00 para ridículos 12.38. O Hanwha não teve escolha a não ser puxar o freio de mão de emergência. Acionaram às pressas o recém-nomeado closer Jack Cushing para apagar o incêndio. Cushing cedeu uma eliminação por bola rasteira para Kim Gyu-seong (trocando um out por uma corrida) e o time ainda engoliu mais um ponto num erro defensivo após um contato de Go Jong-wook. Na base da força bruta, Cushing finalmente despachou Jung Hyun-chang e Aderlin Rodriguez por strikeout, encerrando a partida e a agonia.
O contraste entre a ousadia do NC Dinos em mudar seu elenco antes de um jogo importante e o desastre anunciado do bullpen do Hanwha mostra que, na KBO atual, ter talento bruto no braço não significa absolutamente nada se o arremessador não souber onde a bola vai parar.




